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CÓDIGO
DO IMPOSTO DO SELO - redacção anterior
Artigo 1.º
Incidência objectiva
1 - O imposto do selo incide sobre todos os actos, contratos, documentos, títulos, livros, papéis, e outros factos previstos na Tabela Geral, incluindo as transmissões gratuitas de bens.
2 - Não são sujeitas a imposto as operações sujeitas a imposto sobre o valor acrescentado e dele não isentas.
3 - Para efeitos da verba 1.2 da Tabela Geral, são consideradas transmissões gratuitas, designadamente, as que tenham por objecto:
a) Direito de propriedade ou figuras parcelares desse direito sobre bens imóveis, incluindo a aquisição por usucapião;
b) Bens móveis sujeitos a registo, matrícula ou inscrição;
c) Participações sociais, valores mobiliários e direitos de crédito associados ainda que transmitidos autonomamente, bem como títulos e certificados da dívida pública;
d) Estabelecimentos comerciais, industriais ou agrícolas;
e) Direitos de propriedade industrial, direitos de autor e direitos conexos;
f) Direitos de crédito dos sócios sobre prestações pecuniárias não comerciais associadas à participação social, independentemente da designação, natureza ou forma do acto constitutivo ou modificativo, designadamente suprimentos, empréstimos, prestações suplementares de capital e prestações acessórias pecuniárias, bem como quaisquer outros adiantamentos ou abonos à sociedade;
g) Aquisição derivada de invalidade, distrate, renúncia ou desistência, resolução, ou revogação da doação entre vivos com ou sem reserva de usufruto, salvo nos casos previstos nos artigos 970.º e 1765.º do Código Civil, relativamente aos bens e direitos enunciados nas alíneas antecedentes.
4 - São consideradas simultaneamente como aquisições a título oneroso e gratuito as constantes do artigo 3.º do Código do Imposto Municipal Sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (CIMT).
5 - Não são sujeitas a imposto do selo as seguintes transmissões gratuitas:
a) De valores monetários, ainda que objecto de depósito em contas bancárias, incluindo:
i) O abono de família em dívida à morte do titular;
ii) Os créditos provenientes de seguros de vida;
iii) As pensões e subsídios atribuídos, ainda que a título de subsídio por morte, por sistemas de segurança social;
b) De valores aplicados em fundos de poupança-reforma, fundos de poupança-educação, fundos de poupança-reforma-educação, fundos de poupança-acções, fundos de pensões ou fundos de investimento mobiliário e imobiliário;
c) Donativos efectuados nos termos da Lei do Mecenato;
d) Donativos conforme os usos sociais, de bens ou valores não incluídos nas alíneas anteriores, até ao montante de (euro) 500;
e) Transmissões a favor de sujeitos passivos de imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas, ainda que dele isentas;
f) Bens de uso pessoal ou doméstico.
6 - Para efeitos do presente Código, o conceito de prédio é o definido no Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (CIMI).
(Redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 287/2003-12/11)
Artigo 4.º
Territorialidade
1 - Sem prejuízo das disposições
do presente Código e da Tabela Geral em sentido diferente, o imposto
do selo incide sobre todos os factos referidos no artigo 1.º ocorridos
em território nacional.
2 - São, ainda, sujeitos a imposto:
a) Os documentos, actos ou contratos emitidos ou celebrados fora do território
nacional, nos mesmos termos em que o seriam se neste território
fossem emitidos ou celebrados, caso aqui sejam apresentados para quaisquer
efeitos legais;
b) As operações de crédito realizadas e as garantias
prestadas por instituições de crédito, por sociedades
financeiras ou por quaisquer outras entidades, independentemente da sua
natureza, sediadas no estrangeiro, por filiais ou sucursais no estrangeiro
de instituições de crédito, de sociedades financeiras,
ou quaisquer outras entidades, sediadas em território nacional,
a quaisquer entidades, independentemente da sua natureza, domiciliadas
neste território, considerando-se domicílio a sede, filial,
sucursal ou estabelecimento estável;
c) Os juros, as comissões e outras contraprestações
cobrados por instituições de crédito ou sociedades
financeiras sediadas no estrangeiro ou por filiais ou sucursais no estrangeiro
de instituições de crédito ou sociedades financeiras
sediadas no território nacional a quaisquer entidades domiciliadas
neste território, considerando-se domicílio a sede, filial,
sucursal ou estabelecimento estável das entidades que intervenham
na realização das operações;
d) Os seguros efectuados noutros Estados membros da União Europeia
cujo risco tenha lugar no território nacional, não sendo
devido, no entanto, quanto aos seguros efectuados em Portugal cujo risco
ocorra noutro Estado membro da União Europeia;
e) Os seguros efectuados fora da União Europeia cujo risco tenha
lugar no território nacional.
3 - Nas transmissões gratuitas, o imposto é devido sempre
que os bens estejam situados em território nacional.
4 - Para efeitos do disposto no número anterior, consideram-se
bens situados em território nacional:
a) Os direitos sobre bens móveis e imóveis aí situados;
b) Os bens móveis registados ou sujeitos a registo, matrícula
ou inscrição em território nacional;
c) Os direitos de crédito ou direitos patrimoniais sobre pessoas
singulares ou colectivas quando o seu devedor tiver residência,
sede, direcção efectiva ou estabelecimento estável
em território nacional, e desde que aí tenha domicílio
o adquirente;
d) As participações sociais quando a sociedade participada
tenha a sua sede, direcção efectiva ou estabelecimento estável
em território nacional, desde que o adquirente tenha domicílio
neste território;
e) Os direitos de propriedade industrial, direitos de autor e direitos
conexos registados ou sujeitos a registo em território nacional.
5 - Nas transmissões gratuitas, consideram-se domiciliadas em território
nacional as pessoas referidas no artigo 16.º do Código do
IRS.
(Redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 287/2003-12/11)
Artigo 7.º
Outras isenções
c) Os escritos de quaisquer contratos que devam ser celebrados
no âmbito das operações a prazo realizadas, registadas,
liquidadas ou compensadas através da bolsa e que tenham por objecto,
directa ou indirectamente, valores mobiliários, de natureza real
ou teórica, direitos a eles equiparados, contratos de futuros,
taxas de juro, divisas ou índices sobre valores mobiliários,
taxas de juro ou divisas;
d) As garantias inerentes às operações a prazo realizadas,
registadas, liquidadas ou compensadas através da bolsa e que tenham
por objecto, directa ou indirectamente, valores mobiliários, de
natureza real ou teórica, direitos a eles equiparados, contratos
de futuros, taxas de juro, divisas ou índices sobre valores mobiliários,
taxas de juro ou divisas;
e) Os juros e comissões cobrados e, bem assim, a utilização
de crédito concedido por instituições de crédito
e sociedades financeiras a sociedades de capital de risco, bem como a
sociedades ou entidades cuja forma e objecto preencham os tipos de instituições
de crédito e sociedades financeiras previstos na legislação
comunitária, umas e outras domiciliadas nos Estados membros da
União Europeia, ou em qualquer Estado, com excepção
das domiciliadas em territórios com regime fiscal privilegiado,
a definir por portaria do Ministro das Finanças;
m) O reporte de valores mobiliários ou direitos equiparados realizado
em bolsa de valores;
Artigo 26.º
Participação da transmissão de bens
1 - O cabeça-de-casal e o beneficiário de qualquer transmissão gratuita sujeita a imposto são obrigados a participar ao serviço de finanças competente a doação, o falecimento do autor da sucessão, a declaração de morte presumida ou a justificação judicial do óbito, a justificação judicial ou notarial da aquisição por usucapião ou qualquer outro acto ou contrato que envolva transmissão de bens.
2 - A participação a que se refere o número anterior é de modelo oficial, identifica o autor da sucessão ou da liberalidade, as respectivas datas e locais, bem como os sucessores, donatários, usucapientes ou beneficiários, as relações de parentesco e respectiva prova, devendo, sendo caso disso, conter a relação dos bens transmitidos com a indicação dos valores que devam ser declarados pelo apresentante.
3 - A participação deve ser apresentada no serviço de finanças competente para promover a liquidação, até final do 3.º mês seguinte ao do nascimento da obrigação tributária.
4 - O cabeça-de-casal deve identificar todos os beneficiários, se possuir os elementos para esse efeito, caso em que os mesmos ficam desonerados da participação que lhes competir.
5 - Os prazos são improrrogáveis, salvo alegando-se e provando-se motivo justificado, caso em que o chefe de finanças pode conceder um adiamento até ao limite máximo de 60 dias.
6 - A participação é instruída com os documentos seguintes, consoante os casos: (vigorou até à publicação do DL 211/2005-07/12)
a) Certidão do testamento com que tiver falecido o autor da herança;
b) Certidão da escritura de doação, ou da escritura de partilha, se esta já tiver sido efectuada;
c) Certidão da sentença, transitada em julgado, que justificou a aquisição, ou da escritura de justificação notarial;
d) Certidão, passada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários ou pelo Instituto de Gestão do Crédito Público, conforme os casos, da cotação das acções, títulos ou certificados de dívida pública e de outros valores mobiliários ou do valor determinado nos termos do artigo 15.º;
e) Certidão comprovativa da falta de cotação oficial das acções, passada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, contendo sempre a indicação do respectivo valor nominal;
f) Havendo lugar a aplicação da fórmula constante da alínea a) do n.º 3 do artigo 15.º, extracto do último balanço da sociedade participada, acompanhado de declaração emitida por esta donde constem a data da sua constituição, o número de acções em que se divide o seu capital e respectivo valor nominal e os resultados líquidos obtidos nos dois últimos exercícios;
g) No caso referido na alínea a) do n.º 4 do artigo 15.º, além da declaração mencionada na parte final da alínea anterior, extracto do último balanço ou do balanço de liquidação;
h) No caso referido na alínea b) do n.º 4 do artigo 15.º, declaração passada por cada uma das cooperativas donde conste o valor nominal dos títulos;
i) No caso referido na alínea c) do n.º 4 do artigo 15.º, documento comprovativo, passado pela sociedade participada, de que as acções apenas dão direito a participação nos lucros, o qual deve evidenciar igualmente o valor do dividendo distribuído nos dois exercícios anteriores;
j) Extracto do último balanço do estabelecimento comercial, industrial ou agrícola, ou do balanço de liquidação, havendo-o, ou certidão do contrato social, nos termos e para os efeitos das alíneas a) e b) do n.º 4 do artigo 15.º ou, não havendo balanço, o inventário previsto no n.º 1 do artigo 16.º, podendo a certidão do contrato social ser substituída por exemplar do Diário da República onde tenha sido publicado;
l) Documentos necessários para comprovar o passivo referido no artigo 20.º
7 - Quando não possa juntar-se a certidão do testamento por este se encontrar em poder de terceiro, o chefe de finanças deve notificá-lo para, dentro do prazo de 15 dias, lhe fornecer aquela certidão. (vigorou até à publicação do DL 211/2005-07/12)
8 - Alegando e provando os interessados que não lhes é possível obter o extracto do balanço ou inventário ou as declarações referidas nas alíneas f) a h) do n.º 6, serão notificados os administradores, gerentes ou liquidatários da empresa ou os administradores da massa falida para os apresentarem dentro de 15 dias. (vigorou até à publicação do DL 211/2005-07/12)
9 - Se, no termo do prazo, houver bens da herança na posse de qualquer herdeiro ou legatário, que não tenham sido relacionados pelo cabeça-de-casal, incumbirá àqueles descrevê-los nos 30 dias seguintes. (vigorou até à publicação do DL 211/2005-07/12)
10 - Os documentos referidos nas alíneas f), g) e j) do n.º 6 devem conter a assinatura de quem represente a sociedade no momento da sua emissão, a qual deve ser comprovada através de reconhecimento, podendo este ser efectuado pelo serviço de finanças competente. (vigorou até à publicação do DL 211/2005-07/12)
Artigo 28.º
Obrigação de prestar declarações e relacionar os bens
1 - Seja ou não devido imposto, é sempre obrigatório prestar as declarações e relacionar os bens, ainda que haja lugar a isenção. (vigorou até à publicação do DL 211/2005-07/12)
2 - Não sendo apresentada a participação nos termos dos artigos anteriores, ou contendo a mesma omissões ou inexactidões, e tendo o chefe de finanças conhecimento, por qualquer outro meio, de que se operou uma transmissão de bens a título gratuito, compete-lhe instaurar oficiosamente o processo de liquidação do imposto.
3 - Antes de cumprir o disposto no n.º 2, o chefe de finanças notifica o infractor ou infractores, sob pena de serem havidos por sonegados todos os bens, para efectuar a participação ou suprir as deficiências ou omissões, dentro do prazo por ele estabelecido, não inferior a 10 nem superior a 30 dias.
4 - Caso persista a recusa de entrega da relação de bens, a liquidação é feita com base na informação disponível e na que for apurada pelos serviços, face ao disposto no artigo 29.º
TABELA GERAL DO IMPOSTO DO SELO
23.4 Extractos de facturas e facturas conferidas - sobre o respectivo valor, com o mínimo de (euro) 0,5 - 0,5%
(Redacção em vigor até 31 de Dezembro de 2004)
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